16/11/2025
with - Antes do restaurante, existia a casa de pasto.
Sem cardápio, só o cheiro: de carne fritando na gordura, de feijão borbulhando, de café passado em chaleira de ferro.
🌾 No Brasil colonial, comer fora não era lazer, era necessidade.
Os tropeiros precisavam de abrigo, os viajantes de sustento. Assim surgiram as casas de pasto: meio taberna, meio estalagem, meio sala de conversa.
O nome não vem da grama do gado, mas do verbo pastar: alimentar.
🍲 Enquanto a França inventava o restaurante moderno, com menu e etiqueta, o Brasil aprendia outro tipo de comer fora: coletivo, barulhento, improvisado e generoso.
Sentava-se com estranhos. Dividia-se o feijão, o arroz, a farinha.
Essas casas foram o berço da comida brasileira.
Muito antes de o país se pensar na mesa, ele já se encontrava nela.
Com o tempo, viraram botequins, pensões, restaurantes.
Mas ficaram na língua, e na alma.
Ainda há letreiros no interior que dizem “Casa de Pasto”.
📖 Para quem quiser se aprofundar na história, vale ler a dissertação:
“Das casas de pasto aos restaurantes: Os sabores da velha Curitiba (1890-1940)”, de Deborah Agulham Carvalho, um mergulho sensível nas origens dos nossos primeiros lugares de comer fora.
📷 Cena de rua no Brasil colonial,
Johann Moritz Rugendas (1802–1858), litografia, ca. 1835.