10/04/2026
Entre linhas, papéis, tecidos e silêncios...fui-me reencontrando.
A encadernação deixou de ser apenas um trabalho, tornou-se um lugar seguro, uma âncora num percurso marcado pela emigração, pelas mudanças e pelas perdas que a vida, inevitavelmente, nos traz. Saí aos 18 anos da casa dos meus pais e da minha terra natal, hoje tenho 47, e agora começo a compreender muitas das camadas deste caminho, todas as escolhas e consequências passaram a fazer sentido para mim.
Integrar o projeto Chez-Soi, pelas mãos da querida , abriu espaço para olhar para dentro com mais clareza e ternura. Perceber que, no meio de tudo, há sempre um fio invisível que nos liga a quem somos.
Criar com as mãos, escrever com o coração — como diz a minha querida Sofia da , "o papel conecta-nos". E talvez seja mesmo isso: um regresso subtil a nós, página após página.
Nada disto acontece por acaso. Há propósito até no que não se entende de imediato. E talvez seja isso que nos salva: continuar à procura, continuar a sentir, manter o brio, continuar a dar significado.
Porque, no fundo, reconhecer-nos é também um ato de amor. 🤍