12/01/2018
Na terra do "Tu foste" se tu vais, tu te apaixonas.
Nas nossas bandas menino, até quem não é irmão é maninho.
Lá a gente ama "bem muito" e não pense que é pleonasmo, "bem muito" é bem mais que bastante.
E quando a gente "vai simbora" o coração f**a zitinho, bem dizer pequenininho de saudades do lugar.
Égua não, como é que é?
não vem me dizer que tu não gostas, de camarão com chibé.
Açaí com tapioca.
Farinha pra encher o bucho.
Tacacá de fim de tarde.
Maniçoba com arroz.
Lá para as nossas bandas, não tem só jacaré.
Também tem a cobra grande, o boto do Sairé.
No Pará tem Carimbó, Pinduca, Fafá, Gaby,
Tem Joelma, Nilson Chaves, Fruta quente e Dona Onete.
E em todo final de festa se chama por Verequete.
No Pará tem dois Natais:
O de Cristo, redentor, nosso Deus nosso Senhor e o dia de Nazinha, mãe dele, nossa Rainha, com corda, cera e promessa.
Um mar de gente na rua, com fé e com devoção, pra completar a missão, chega em casa meio dia, logo após a procissão, no almoço tem família e tucupi na travessa, com pato, mesa bem posta, camisa, fita no braço, mousse de cupuaçu.
A gente tem muita sorte, lá para as bandas do Norte, o sol está sempre quente. Julho é o verão da gente, dezembro é o nosso inverno e se tu ainda não entende, vou explicar meu senhor, é que a linha do equador, f**a mais perto da gente.
Um rico vocabulário, nós temos pra expressar. Um "égua" bem exclamado já quer dizer quase tudo. É espanto, é surpresa, é medo, lamento, tristeza, é alegria, é descoberta, usa quando erra e acerta.
Mas Pai D'égua é sempre bom.
A gente fala chiado, com o S arrastado, mas não somos cariocas, nosso mapa é mais em cima, trocamos o você pelo tu, a gente não f**a triste, f**a meio jururu.
Amuada eu fico quando, me lembro do fim de tarde nas Docas, do Ver-o-Peso, Ver-o-rio.
Das veredas para os igarapés, da lua cheia de cores.
Do cheiro da terra molhada, da manga da estação.
Do jambo roxo no chão.
Doce como a saudade, que eu sinto da minha terra.
do Meu chão, do meu lugar.
Texto de Elis de Carvalho
Enviado por Ailime Marcela Barbosa
Fonte: Orgulho de Ser Paraense