19/07/2026
Na Grécia antiga, existia uma regra que ninguém ousava quebrar: a xenia, o pacto entre quem recebe e quem é recebido. E ela tinha um fiscal, Zeus Xenios, o Zeus dos estrangeiros.
Funcionava assim. Ao estranho que batia à porta, oferecia-se primeiro comida, banho e cama. Só depois, já descansado, é que se perguntava seu nome e para onde ia. Apressar essa pergunta era falta de educação com os deuses.
Havia um motivo para tanto cuidado. Contava-se que os próprios deuses andavam pelo mundo disfarçados de viajantes cansados, batendo em portas para ver quem recebia bem e quem mandava embora. Na dúvida, tratava-se todo hóspede como se fosse divino.
E quem quebrava o pacto pagava caro. Páris foi recebido na casa de Menelau e partiu levando Helena, a mulher do anfitrião. Dessa traição da hospitalidade nasceu a guerra de T***a.
Mudaram os deuses. A regra ficou. Quem chega merece ser bem recebido.