15/12/2025
As pessoas me perguntam porque Caçapava do Sul, com o reconhecimento da UNESCO como um território Geoparque e, a Campanha Gaúcha com tantas belezas naturais ainda não é um atrativo turístico nacional?
Essa é uma pergunta recorrente e a resposta não é simples, mas passa por alguns pontos centrais:
Primeiro, falta política pública contínua. Turismo não se consolida com ações isoladas ou eventos pontuais. Caçapava do Sul e a Campanha Gaúcha sofrem com descontinuidade de projetos, troca de governos e ausência de um plano regional de longo prazo.
Segundo, o território é pouco narrado. Temos paisagens únicas, história, geodiversidade, cultura campeira, gastronomia e memória, mas tudo isso ainda é pouco contado de forma integrada. Sem uma narrativa forte, o destino não entra no imaginário nacional.
Terceiro, infraestrutura e serviços ainda são frágeis. Estradas, sinalização turística, conectividade, hospedagem estruturada e capacitação profissional avançam lentamente, o que dificulta receber e manter fluxos maiores de visitantes.
Quarto, há baixa articulação regional. Municípios da Campanha muitas vezes competem entre si em vez de cooperar. Turismo forte se faz em rede, com roteiros integrados e identidade territorial compartilhada.
Quinto, o Brasil ainda olha pouco para o turismo de natureza, paisagem e identidade fora do eixo praia–cidade histórica. Falta promoção nacional consistente que mostre que a Campanha Gaúcha é diferente, singular e valiosa.
Por fim, talvez o mais difícil: romper com a ideia de que o que é nosso vale menos. Caçapava do Sul e a Campanha Gaúcha têm tudo para ser um destino nacional de relevância, mas isso exige visão, persistência e, sobretudo, compromisso coletivo com o território.