Pousada Nativos ES

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Pousada Nativos ES Reservas; (27) 99971-3713 e Watzap. Pousada Nativos ES sempre um prazer recebê-los!! www.pousadana O ambiente é bucólico, com 7 chalés para até 3 pessoas cada.

A Pousada Nativos está localizada no balneário de Praia Grande, há 40 km da capital capixaba, Vitória. A pousada dispõe de piscina, área de churrasqueira, e ampla área verde, com coqueiros e árvores que refrescam ainda mais o descanso. Há poucos metros da pousada está a praia Enseada das Garças. Na Pousada Nativos os hóspedes têm a opção de locar os chalés individuais ou pacotes que incluem todo o espaço, assim ficam à vontade com o seu grupo familiar e com os amigos.

14/07/2026

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14/07/2026
13/07/2026

Na Amazônia existia uma tribo formada apenas por mulheres guerreiras. Os homens eram proibidos de viver entre elas. Uma vez por ano, elas recebiam guerreiros de outra tribo lendária para passar uma única noite... e o destino dos meninos que nasciam dependia da versão da história que se contava.

As icamiabas, também chamadas iacamiabas, são uma das lendas mais conhecidas dos povos indígenas da Amazônia. O nome vem do tupi antigo *i + k**a + îaba*, que pode significar “peito partido” ou “mulheres sem marido”. A lenda descreve uma sociedade exclusivamente feminina e matriarcal, onde as mulheres viviam sozinhas, caçavam, guerreavam e governavam a si mesmas. Elas não mantinham homens permanentemente em suas aldeias e eram descritas como altas, fortes, habilidosas com arco e flecha, e protetoras de seu território.

Diferente do mito grego das amazonas — que inclui a remoção de um seio para facilitar o uso do arco —, as versões amazônicas não mencionam mutilação física. O termo “peito partido” parece mais uma referência simbólica à ausência de maridos do que a uma prática corporal. Elas eram vistas como guerreiras completas, que lutavam, criavam filhos e mantinham sua autonomia.

Para garantir a continuidade do grupo, uma vez por ano as icamiabas realizavam um encontro ritual com os homens da tribo dos guacarás (ou guacaris). Esse encontro acontecia durante uma festa ligada à lua cheia, às vezes chamada de Festa de Iaci. Segundo os relatos, as mulheres preparavam um banquete às margens do rio, tomavam banhos purificadores com perfumes e, depois, se uniam aos guerreiros.

Após o encontro, cada icamiaba presenteava seu parceiro com um **muiraquitã** — um amuleto esculpido em forma de animal, geralmente um sapo, feito de amazonita ou pedra esverdeada semelhante à nefrita. O muiraquitã era considerado um objeto de proteção, sorte e, em algumas versões, um símbolo de fidelidade ou recordação do encontro.

As meninas nascidas dessas uniões sempre ficavam com as icamiabas e eram criadas como guerreiras, aprendendo a caçar, lutar e defender o território. Já o destino dos meninos varia conforme a versão da lenda:

- Em algumas narrativas, os meninos eram mortos logo após o nascimento.
- Em outras, especialmente segundo o cronista espanhol Pedro Cristóbal de Acuña (que acompanhou a expedição de Pedro Teixeira na década de 1630), os meninos eram entregues aos pais guacarás no encontro do ano seguinte, para serem criados por eles.
- Há ainda versões intermediárias que dizem que os meninos eram devolvidos à tribo dos guacarás sem especificar se sobreviviam ou não.

Essas diferenças mostram como a lenda foi contada de formas distintas ao longo do tempo, misturando tradições indígenas com interpretações europeias.

O muiraquitã é um dos elementos mais marcantes da história. Esses amuletos existiam de verdade no artesanato indígena amazônico e eram feitos de pedras verdes. Na lenda, eles ganharam significado especial: eram confeccionados pelas próprias icamiabas durante o ritual anual e dados como presente aos parceiros. Em algumas versões mais recentes ou literárias (como em *Macunaíma*, de Mário de Andrade), o muiraquitã também aparece como um objeto que reforçava o laço entre os dois grupos, mesmo que temporário.

Os indígenas locais acreditavam que as icamiabas viviam em um monte chamado Serra Itacamiaba, localizado nas proximidades do rio Conuris, na região que hoje corresponde ao Equador. Esse monte era considerado o habitat sagrado ou o centro do poder delas. Com o tempo, o nome “Itacamiaba” acabou sendo associado à própria ideia de “amazonas” na região.

A lenda ganhou projeção mundial em 1542, durante a expedição do espanhol Francisco de Orellana, que desceu o rio em busca de ouro e do mítico Eldorado. Segundo o relato do frei Gaspar de Carvajal, que acompanhava a expedição, os espanhóis foram avisados por indígenas locais de que estavam entrando no território das “mulheres guerreiras”. Mesmo assim, seguiram adiante. Na região conhecida como “Espelho da Lua” — hoje o município de Nhamundá, no Amazonas, perto da divisa com o Pará —, a expedição teria sido atacada por um grupo de guerreiras indígenas.

Orellana descreveu as mulheres como altas, fortes, organizadas e habilidosas com arco e flecha. Elas lutaram com determinação, ferindo vários espanhóis. O relato não fala de uma grande nação exclusivamente feminina, mas de um grupo de guerreiras que surpreendeu os invasores.

Anos depois, quando Orellana retornou à Espanha e contou o ocorrido ao imperador Carlos V, o monarca associou imediatamente essas mulheres às amazonas da mitologia grega. Foi por isso que ele batizou o grande rio de “Río de las Amazonas”. Décadas mais tarde, o português Pedro Teixeira, durante sua expedição de 1637–1639, popularizou a forma simplificada “Rio Amazonas”.

A lenda das icamiabas mistura elementos de tradição oral indígena com a visão dos cronistas europeus do século XVI e XVII. Muitos historiadores consideram que os relatos de Orellana e Acuña foram influenciados pelo desejo de encontrar paralelos com mitos clássicos conhecidos na Europa. Ao mesmo tempo, existem registros e relatos posteriores que sugerem a existência de grupos de mulheres com forte autonomia em algumas sociedades amazônicas, mesmo que não exatamente como descrito na lenda completa.

O que permanece forte em todas as versões é a imagem de mulheres que governavam a si mesmas, escolhiam quando e com quem se relacionar, e defendiam seu espaço com armas. O muiraquitã, o ritual anual com os guacarás e a incerteza sobre o destino dos meninos continuam sendo os pontos que mais variam conforme quem conta a história — seja em narrativas antigas de cronistas, seja nas versões que ainda circulam na Amazônia hoje.

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Fontes.

1. Carvajal, Gaspar de. *Relación del nuevo descubrimiento del famoso río de las Amazonas* (1542). Relato da expedição de Francisco de Orellana.

2. Acuña, Cristóbal de. *Nuevo descubrimiento del gran río de las Amazonas* (1641). Relato da expedição de Pedro Teixeira.

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