26/06/2026
neste domingo, a praia da armação amanhece em dia de procissão de são pedro — o santo pescador — quando o mar vira caminho e a fé vai navegando, mansa, entre barcos enfeitados e olhares.
a procissão sai daqui, da nossa faixa de areia, e carrega com ela um pedaço do que sustenta a ilha: o ofício de quem conhece o tempo pelo vento, a memória que atravessa gerações, a beleza simples de uma celebração feita em comunidade.
depois da missa, as imagens vão para os barcos; os cortejos se encontram em frente à armação e fazem o “revolteio”, antes de seguirem para a vila, com os barcos alinhados para as bênçãos e a bênção dos anzóis — um rito repetido há anos, como registrado no acervo do Baú da Dedé.
bem pertinho, a capela nossa senhora d’ajuda — nossa vizinha — é uma dessas presenças que lembram que a armação não é só paisagem: é território de fé e de história. ela acompanha esse domingo como marco do calendário local, guardando o entorno e ajudando a manter viva a memória caiçara que se renova a cada ano.
pesquisa e fotos: Baú da Dedé (baudadede.com.br)
foto de capa Clara Lobo