13/05/2024
Castelhanos - Piratas
Um paraíso acolhido em grande enseada, cercado por intensa vegetação e enfeitado com rios, riachos e cachoeiras. Seu nome teria sido originário dos piratas vindos de Castela, um dos reinos que formaram a Espanha.
A localização privilegiada de Castelhanos, distante das vilas
coloniais, favorecia a pirataria. Há mais de quatrocentos anos,
serviu corsários famosos, que fizeram desta praia seu refúgio para
se abastecer de água, lenha e comida.
Em suas águas, o pirata Cavendish comemorou o saque à vila
de Santos, no Natal de 1591. Durante uma de suas incursões,
depois do motim que o vitimou, sua tripulação teria abandonado
a vida corsária e adotado Castelhanos como lar. Em 1711, outro
pirata, René Duguay – Trouin, com patente de corsário a serviço da
França, após conquistar o Rio de Janeiro, teria escondido em Castelhanos um tesouro, resultado de saques que efetuou a
naus ibéricas.
Longe dos olhos controladores dos fiscais do reino, no tempo
colonial, várias fazendas aqui existiam como entreposto para o tráfico de escravos.
Depois da longa viagem pelo Atlântico, os sobreviventes
aportavam em Castelhanos para se restabelecer da dura viagem
e também para que fosse dissipada a criminosa atividade. Neste local, os escravos recuperavam aspecto mais saudável para serem vendidos a preços melhores nas fazendas do continente, mais especificamente, no Vale do Paraíba e em Minas Gerais.
A população de escravos nesta praia era grande, pois muitos
daqueles que não tinham condições de subir a serra, nas fazendas da praia permaneciam. Algumas possuíam até duzentos escravos, que trabalhavam na produção agrícola, venda de madeiras e produção de aguardente. Nas matas ao redor é possível avistar resquícios de suas edificações, que certa vez, foram bombardeadas pelo fogo dos canhões corsários...