28/07/2026
SINDAEN alerta: leilão da Sanepar amplia participação privada e preocupa trabalhadores
O edital do Sistema de Abastecimento Integrado do Norte do Paraná (SAINP), que será leiloado na B3, representa mais um avanço da participação da iniciativa privada em atividades estratégicas da Sanepar. Pelo modelo proposto, a empresa vencedora ficará responsável por projetar, construir e disponibilizar a infraestrutura de abastecimento de água, recebendo pagamentos mensais da Sanepar por 20 anos. O contrato tem valor estimado em cerca de R$ 2 bilhões.
Para o SINDAEN, o principal ponto de atenção é que a iniciativa privada passa a atuar em um dos ativos mais valiosos do saneamento, enquanto a Sanepar permanece responsável pela operação, atendimento à população e continuidade dos serviços. Na prática, o investimento privado é remunerado por longo período, enquanto as responsabilidades permanecem com a empresa pública.
O sindicato avalia que esse processo aprofunda um movimento já observado com as PPPs do esgotamento sanitário. Em vez de fortalecer sua capacidade de investimento, engenharia e operação, a Sanepar amplia sua dependência de contratos de longo prazo com empresas privadas.
Os impactos também podem atingir diretamente os trabalhadores. A ampliação das terceirizações tende a reduzir atividades executadas pelos empregados da companhia, diminuir a necessidade de novos concursos, fragmentar equipes técnicas e enfraquecer o conhecimento acumulado ao longo de décadas. Grandes obras deixam de fortalecer a engenharia pública e passam a ser conduzidas por terceiros.
Outro ponto que preocupa é o equilíbrio entre riscos e retorno. Enquanto a empresa privada recebe pela disponibilização da infraestrutura, cabe à Sanepar manter a operação e garantir a qualidade do serviço. Além disso, o modelo concentra investimentos em sistemas de abastecimento de água, que possuem maior retorno financeiro, enquanto o tratamento de esgoto continua exigindo elevados investimentos públicos.
Para o SINDAEN, a água é um patrimônio público e não pode ser tratada apenas como um ativo econômico. Decisões que ampliam a participação privada em serviços essenciais precisam ser debatidas com transparência, considerando seus reflexos sobre os trabalhadores, a qualidade dos serviços e o futuro da empresa.
O sindicato seguirá acompanhando todas as etapas desse processo e defendendo uma Sanepar pública, forte, com capacidade própria de investimento, valorização dos empregados e compromisso com a população paranaense.