Hospedaria Santa Bárbara

Hospedaria Santa Bárbara A Hospedaria Santa Bárbara é um cama & café na ilha de Paquetá. Temos somente três suítes pr
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Viviane Mosé no Sem Censura da última semana, ao responder a Cissa Guimarães como lidar com as demandas da vida atual se...
08/06/2026

Viviane Mosé no Sem Censura da última semana, ao responder a Cissa Guimarães como lidar com as demandas da vida atual sem cair na armadilha de trabalhar sem parar para poder manter um certo padrão de vida, respondeu:
“É só gastar menos.”
E eu completo: não tem essa de padrão de vida, tem um teto, tem comida na mesa? Bora viver bem com o que se tem, indo até onde a perna alcança.
Foi com esse espírito que construímos há 10 anos a Hospedaria, com o propósito de poder viver do nosso trabalho cotidiano, sem falta e sem excesso.
Custo fixo baixo para, de repente, numa semana, poder bloquear as reservas e dar uma viajadinha de dois, três dias.
Vida barata para num domingo lindo como o de ontem poder se reunir com os amigos para uma cervejada na Tia Loyde enquanto o sol se põe.
Então contrariando o dizer popular: Tem vida mais barata, e presta sim!

Um beijo da gente daqui para vcs dai! ❤️

Andava com o filho pela mão.  Tinha 3 anos o filho. O pai andando devagar para acompanhar os passinhos curtos do filho.O...
07/06/2026

Andava com o filho pela mão.
Tinha 3 anos o filho.
O pai andando devagar para acompanhar os passinhos curtos do filho.
O filho tagarelava.
Muitos porquês.
"Pai por que o sapato desamarra?"
"Porque não amarrei direito." responde o pai enquanto se abaixa pra reatar o laço do cadarço.
"E por que vc não amarrou direito?"
Sorrindo o pai, aperta de leve a mão do filho para continuar o passeio.
Começara um novo ciclo de porquês.
Tinha de mudar o foco do filho.
Não foi difícil, logo o filho puxou a mão do pai e apontando pra uma casa, disse:
" Olha que casa bonita, pai!"
O filho sabia que o pai gostava de casas, ouvia suas conversas com amigos e se sentia um homezinho crescido descobrindo novas belezas pra mostrar pro pai.
" Num é bonita pai?"
Perguntava olhando pro pai procurando aprovação.
"É sim, filho.
Linda. Muito linda!"

Mas o pai era jovem.
Vinte e poucos anos.
Frequentara a faculdade de arquitetura, achou a casa cafona.
Jovem demais, acreditava em padrões rigidos, verdades unicas.
Não enxergou além dos enfeites baratos da fachada, dos adornos pretensiosos.
Sorriu sarcástico ao ver uma escultura de gato no telhado.
Vivera pouco.
As lutas mal haviam começado.
Mas as lutas vieram.
Porque sempre vem.
E o jovem virou um adulto.
E o adulto envelheceu.
No caminho fez novos amigos, manteve alguns, perdeu outros.
Se frustrou ao realizar alguns sonhos.
Se alegrou ao ser surpreendido com desvios no caminho.
E numa destas voltas do destino, um dia se viu em frente à casa que o filho achara linda.
E vendo-a agora, entendeu os enfeites baratos como os possiveis, imaginou os sonhos pretendidos das pessoas que a construíram.
Um menino que brincava no jardim o viu e correu pro portão dizendo:
"Oi!
Gostou da casa do meu bisa?
É linda num é? "

E o homem achou linda mesmo.
E saiu sorrindo com ternura vendo a estátua de gato no telhado.
O mesmo homem, que passados mais de 30 anos, posta aqui com orgulho, a foto da fonte de sapo que cai no lago de peixinhos, do rinoceronte logo abaixo da plaquinha mandada pintar em Buenos Aires indagando onde vive o amor, da parede recheadas de santos encimada pelo pratinho onde pai do homem aprendeu a mastiga lá nos anos 30 do século passado, tudo na Hospedaria, onde abençoado por Santa Barbara aprendeu com Leandro a ser feliz, rodeados de vivências, de lembranças, de amor…

Um beijo da gente daqui, pra vcs dai! ❤

Vai clareando cada vez mais tarde. Adoro o outono e o inverno, faz-me voltar às manhãs congelante de uma São Paulo que n...
06/06/2026

Vai clareando cada vez mais tarde.
Adoro o outono e o inverno, faz-me voltar às manhãs congelante de uma São Paulo que não existe mais.
Manhãs de névoa, de nescau quente, e meu pai apressando a gente para a escola.
Manhãs de voltar correndo para dar um ultimo beijo em minha avó antes de sair, porque caso contrário ela f**ava sentida.
‘ Sentida’, minha avó usava muito esta expressão quando queria dizer que f**ara triste , mas não queria culpar ninguém…
Sei.
Minha avó tinha a arte do controle emocional, mas para mim sempre foi carinho, e eu caia voluntariamente na armadilha.
Tudo certo, porque havia contrapartida e quando precisei de seu apoio ela se desapegou de verdades sociais e ficou ao meu lado.
Conhecia- me minha avó.
Eu conhecia Dona Maria.
Amor exige conhecimento mútuo.
Amor é construção lenta, que sempre vale a pena.
Sempre.

Um lindo sábado da gente daqui para vcs dai, com esta foto de agora a pouco. ❤️

Livre, livre, acredito que só o ermitão que mora no meio do nada, comendo o que coleta, bebendo a água da chuva. Fora o ...
05/06/2026

Livre, livre, acredito que só o ermitão que mora no meio do nada, comendo o que coleta, bebendo a água da chuva.
Fora o ermitão - que aliás nunca conheci, só ouvi falar - todos temos amarras.

Nós, bipedes humanos, descobrimos cedo que coletivamente a vida f**a mais facil.
Vivemos numa interdependência voluntária, com cada um fazendo um tiquinho.
E não importa se vc é pobre pobríssimo, ou rico riquíssimo: você depende do outro.
Para tudo.
Para comer, para se vestir, para ir e vir.
Afetamos e somos afetados pelo outro o tempo todo, desde o nascimento até a morte.
Nossa jornada é coletiva e afetiva.

Agora uma liberdade temos: a liberdade de escolher nossas amarras, nossas lutas.
A liberdade de escolher quem nos afetará e a quem afetaremos.
Não é facil, é preciso olhar para dentro, ter conhecimento de si, respeito às suas verdades e coragem, muita coragem.
Porque esse mundo coletivo nos ensina desde cedo que temos de obedecer o que diz a maioria, gostar do que gosta a maioria, desejar o que deseja a maioria.
Mas esse mesmo mundo coletivo é desigual e ainda que lute para se manter imutável, é cheio de tensões.
Uns tem mais facilidades, outros menos.
Uns sao mais adaptados, outros menos.

Eu me descobri minoria em muitas verdades, desejos e valores.
E luto todos os dias para me manter íntegro a essas verdades, desejos e valores.
Assumo perdas eventuais, mas tenho a consciência sempre em paz.
Sigo feliz com meus pares, com meus amores, aprendendo o tempo todo que unanimidades são burras, e seguir a manada sem pensar é perda de tempo.
E tempo é vida.
E e vida é mudança.

Um beijo da gente daqui pra vcs daí! ❤️🧡💛💚💙💜

“No budismo, o conceito de Nirvana está intimamente ligado ao desapego profundo. Ele é definido como a extinção definiti...
04/06/2026

“No budismo, o conceito de Nirvana está intimamente ligado ao desapego profundo. Ele é definido como a extinção definitiva do desejo, da ignorância e do apego aos bens materiais e às ilusões do ego, resultando na liberação total do ciclo de renascimentos.”

Assim diz a Wikipedia.

Eu conheço o conceito superficialmente, nunca estudei o budismo, mas vivi sem desejar nada boa parte da minha existência (a vida nestes anos foi corrida, cheias de urgências, com espaço nenhum para devaneios além de suprir o básico).
E lembro de uma conhecida budista elogiar meu desapego quando numa conversa percebi que há anos eu nada desejava.
Na outra mão, lembro também de na terapia a psicóloga me provocar sobre a falta de quereres.
Pois é.
A vida é confusa, cheia de verdades, muitas vezes contraditórias.
Nos cabe escolher as nossas.

Eu à época me dei conta de que a vida andava mais tranquila, que já havia espaço para algum voo.
E escolhi voar.
A Hospedaria foi o meu primeiro sonho.
Sonho conjunto com Leandro, que acredito, também começou a se permitir por aquela época aspirações diferentes das que lhe doutrinaram até então.

Em 25 de julho vamos comemorar 10 anos desse sonho realizado, dessa vida construida, 10 anos de Santa Barbara!, num sambinha no Tia Leleta com o Quarteto Manobra ( João Pedro, meu filho no 7 cordas).
Quem vem sonhar com a gente?

Um beijo da gente daqui para vcs daí!

Ps: fotos de ontem.
Eu, Leandro e Joca vivendo no sonho.

"O nome é antolho, filho"" Tá... mas pai...eu perguntei pro homem da carroça pra que serve e ele disse que é pro cavalo ...
03/06/2026

"O nome é antolho, filho"
" Tá... mas pai...eu perguntei pro homem da carroça pra que serve e ele disse que é pro cavalo só olhar pra frente, porque se olhar pro lado pode se assustar porque tem muita coisa feia no mundo. Ele disse que é pro bem do cavalo, é isso mesmo?"
"Não, não é não filho. Você notou que só os cavalos que puxam carroça é que usam o antolho? Os cavalos dos meninos que alugam pra passeio em Campos do Jordão, ou do Clube de Campo, aqueles que saltam.. lembra? Nenhum deles usa. Sabe porque estes da carroça usam?"
"Não pai, por que?"
"Porque estes cavalos que vivem presos a carroça, tem de carregar todo o peso sozinhos, e quando estão muito cansados, ao invés de pararem um pouco pra descansar, são chicoteados, como você bem viu. Então o antolho serve pro cavalo não olhar pro lado e ver capim fresco, logo ali.
Serve pra ele não ver a égua bonitona pastando livre e querer dar uma namorada.
Serve pra ele só olhar pro chão e não ver mais nada.
Nem de ruim, nem de bom.
Serve pra ele só enxergar o dono, que lhe traz capim velho, e como ele nunca viu capim fresco, acreditar que o dono é bom e lhe dá o melhor.
E continuar trabalhando.
E continuar carregando o dono nas costas, mesmo que isso faça mal a ele." .............................................

Esta conversa tive com meu pai há mais de 50 anos.
E cresci sem antolhos, com vontade de enxergar o mundo, as pessoas, com a possibilidade de discordar, de criar valores próprios, de me entender, de tentar entender o outro.
Olhando sempre na horizontal, nunca de baixo para cima, jamais de cima para baixo.
Mas parece que em 2026 tem quem prefira não ver, que escolha o antolho, a submissão.

Por aqui defendemos a soberania.
Soberania de escolha, de vida.
Soberania da nossa casa, do nosso pais.

Um beijo da gente daqui para vcs dai! ❤️

Eu era criança lá nos anos 70. E desde criança gostei de casas.Do interior delas, de seus móveis, enfeites e arrumação. ...
02/06/2026

Eu era criança lá nos anos 70.
E desde criança gostei de casas.
Do interior delas, de seus móveis, enfeites e arrumação.
Decoração, se dizia a época.
Eu observava a casa dos amigos, dos tios, dos avós.
Lembro até hoje de algumas que me chamaram a atenção.
O apartamento de um amigo de escola nos jardins; moderno, sofá em "L" branco, espelhos e aço, um bar num canto.
O bonito sobrado neocolonial cor de rosa dos Trussard no Alto de Pinheiros - onde fui em uma festa - recheado de objetos de arte, tapeçarias e porta-retratos.
O apartamento de uma amiga querida com os móveis todos mandados fazer em estilo colonial mexicano.
E era assim: uma boa decoração seguia um estilo rígido, moderno, colonial brasileiro, Luis XIV, XV, ou XVI...
Tudo combinando, tudo de acordo.

E a vida era assim também.
Rígida.
Cada um com um papel definido.
Casamentos para sempre, homens provedores, mulheres dependentes.
Profissões a escolher também havia poucas:
Médico, dentista, veterinário, advogado, engenheiro ou arquiteto.
Em segredo, eu sonhava em ser decorador.
Não podia.
Profissão menor.
Coisa de mulher.
Ou pior, de...
Parece mentira, né?
Pois é verdade.
E ia eu acumulando segredos, escondendo desejos.

Foi aos poucos que o mundo foi mudando.
Uma conquista aqui, um respeito ali.
Fomos descobrindo, por vezes encantados, por vezes espantados, que existem muitas e muitas formas de viver, de existir.
A vida venceu.
Mostrou-se fluida.
Provou que não há definições, certezas.
E eu?
Eu descobri a beleza da cortininha de estreitas fitas de plástico colorido que separava a sala da cozinha, na casa do caseiro da nossa chacara.
O lindo desbotar da cor nas paredes caiadas.
A beleza da imperfeição.
A libertação de se descobrir impotente.
Aos poucos - como boa parte do mundo - fui aceitando o diferente no outro, e em mim.
Perdi um pouco, ganhei muito.
Vivo na verdade, de verdade.
Muito a agradecer.

Um beijo da gente daqui pra vcs daí!❤

Da rua, um pequeno portão azul. Igual a tantos outros.Cruzando o portão, um comprido corredor. Lembro da primeira vez qu...
01/06/2026

Da rua, um pequeno portão azul.
Igual a tantos outros.
Cruzando o portão, um comprido corredor.
Lembro da primeira vez que entrei.
O corredor me pareceu excessivo.
Depois de uns 20 metros, uma pequena inclinação à esquerda.
Um pouco a frente, na lateral esquerda do corredor, outro portão, também azul.
Era ali a casa.
O corredor continuava e finalizava em outro portão.
Outra casa.
Entramos, eu e a corretora, pelo portão da casa à venda.
Uma área toda cimentada.
Uma construção paralela ao corredor, alinhada ao muro do fundo.
Feio.
Tudo feio.
Muito feio.
Nenhuma planta.
Muitas grades.
A casa por dentro, um labirinto de cômodos pequenos e escuros.
A luz e a hidráulica, precárias.
Mas era um teto, tinha quintal e era muito barata.
Muito, muito, barata.

Havia conhecido Paquetá poucos meses antes.
Não conhecia ninguém.
Não podia parar de trabalhar em São Paulo.
Mas eu quis a casa, que ainda que muito barata, eu não tinha dinheiro para comprar.
Coloquei a roda roda pra girar.
Do nada, um projeto grande apareceu, mais um dinheiro emprestado com a mãe, vende-se o carro velho, e compro a feia casa de fundos.

Pra que?

Pra ser feliz.
Hoje sei.

Um bj da gente daqui, pra vcs dai.❤

Eu renasci três vezes.E todos os três renascimentos foram em função de outros. Eu primeiro renasci quando meu filho veio...
30/05/2026

Eu renasci três vezes.
E todos os três renascimentos foram em função de outros.

Eu primeiro renasci quando meu filho veio ao mundo.
Ali morria o Ricardo filho e nascia o Ricardo pai.

Eu renasci no colo de minha avó, quando expulso do meu núcleo familiar, ela me acolheu e me abraçou dizendo:
" Filho, eu te vi nascer, te conheço profundamente.
Vc é homossexual e eu te amo."
Ali morreu minha crença em títulos familiares, e nasceu minha fé no amor.
Amor que transforma, que transformou minha avó, uma mulher de mais de setenta anos a época, cheia de preconceitos, que comigo tambem renasceu.
Renascemos juntos.

E eu tenho renascido nos últimos onze anos com o Leandro.
Onze anos de caminhada.
Caminhada conjunta onde Leandro vive o amor comigo, e eu vivo o amor com o Leandro.
Onze anos onde ao contrário do que diz o senso comum, a rotina tem feito com que esse amor fique cada dia mais forte, mais tranquilo e mais gostoso.
Intimidade, que só o tempo vivido junto traz.

Um beijo da gente daqui pra vcs daí! ❤️
Ps: fotinho da Hospedaria, nosso amor concretizado em tijolo.

Tenho dormido mal, o sono tem fugido. Atento aos movimentos do Joca, vou velando sua recuperação. Neurose, eu sei. Racio...
29/05/2026

Tenho dormido mal, o sono tem fugido.
Atento aos movimentos do Joca, vou velando sua recuperação.
Neurose, eu sei.
Racionalmente eu sei, mas basta um movimento diferente e me ponho alerta.
Joca, alheio às minhas aflições dorme tranquilo.
Melhor assim.
Mas ontem, Leandro percebendo minha inquietação, desligou cedo a televisão e me deu a mão.
Dormi.
Dormi pesado.

Agradeço ao amor.

Amor dele por mim.
De mim por ele.
De nós pelo Joca.
Do Joca por nós.
Amor.
Amor que a Hospedaria estimula na gente e em quem f**a aqui conosco.

E ontem também foi aniversário de casamento das amigas Leila e Neusa.
Leila e Neusa que fizeram uma massinha com camarão no almoço para a gente, e a noite comemoraram a longa estrada que vem percorrendo juntas durante tantos e tantos anos.

Amor.

Um beijo da gente daqui para vcs dai! ❤️

Endereço

Rua Coelho Rodrigues, 82
Rio De Janeiro, RJ
20396020

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