16/04/2020
O meu nome é Vlademir Ferreira, “mais conchid por Vlu”. Nasci em Santo Antão, cheguei a São Vicente tinha 8 anos de idade. Não tenho problema em dizer que cheguei de Santo Antão descalço e trajava um "short k 2 brok na polpa”. A minha mãe não tinha muitas possibilidades e do meu pai não tive nada.
Cresci nesta ilha, por isso considero-me cidadão do Mindelo, apesar de Santo Antão ser o meu destino favorito no mundo.
Tive a oportunidade de estudar e agarrei-a com os dentes. Acho que o que faz as pessoas crescerem são as dificuldades, os desafios e não “sabura”.
Fiz o meu liceu, depois comecei a trabalhar e aos 21 anos consegui uma bolsa de estudos e fui fazer formação superior de Shipping business na Noruega (Oslo).
Este processo foi fantástico, um verdadeiro “open mind” . Fui viver numa sociedade totalmente diferente da que conhecia, um lugar muito à frente. Quem vai para Noruega nunca mais volta o mesmo.
A música entrou na minha vida desde criança, em Santo Antão a assistir o meu vizinho tocar guitarra. Quando vim para São Vicente fui viver no Lombo, uma zona que tinha muita música ao vivo e depois fui para a Ribeira Bote, uma zona também com muita música. No entanto, só no Brasil em 89 conheci um pouco de teoria musical.
O Festival Baía das Gatas? Para falar do festival tenho que regressar aos anos 60. Na altura a música de Cabo Verde era só morna e coladeira. As outras formas de inteligência musical encontravam muita resistência. Assim nasce este evento, um palco em que se tocasse outros tipos de ritmos.
O futebol é outra paixão que sempre carreguei. Sou um dos fundadores e jogador do Futebol Clube da Ribeira Bote que, na altura era uma equipa muito forte.
Sou feliz. Tenho tudo na vida. Tudo o que sempre quis. Até o estúdio que era o meu sonho, fui para Nova York e trouxe-o comigo.