Alzira Henriques de Almeida nasceu na Portela da Cerdeira, no concelho de Arganil. Desde muito nova que os seus dias eram ocupados com a ajuda aos seus pais na lida do campo. Casou por procuração muito jovem ainda, aos 16 anos na aldeia natal, seguindo depois viagem para Angola, indo ao encontro do seu marido que era agricultor. Ao chegar a Angola o casal foi viver na casa do avô do seu marido Jos
é e, como ela já estava familiarizada com as lides domésticas, foi-lhe atribuída a função de governanta. Mais tarde, os seus sogros decidiram dividir alguns dos seus bens, calhando ao casal uma fazenda de café na cidade da Gabela. Começaram então a trabalhar por conta própria, José na agricultura e Alzira nas tarefas domésticas, acumulando um pequeno comércio que fornecia bens alimentares e vestuário aos trabalhadores. Com o passar dos anos adquiriram uma outra fazenda dedicada a produção de arroz e gado. Tiveram quatro filhos, o Fernando, a Dilene que faleceu com tenra idade, a Maria de Fátima e o Carlos. Após o 25 de Abril, a família teve que regressar a Portugal deixando todos os bens em Angola. Em Portugal, Alzira pediu ao seu marido para fazerem uma casa no centro da aldeia, para poder dedicar-se ao comércio. Para tal, os seus sogros, deram o terreno onde havia uma pedreira para poderem fazer ali a casa, próximo ao terreno que doaram às gentes da aldeia, onde ajudaram a erguer a capela (Nossa Senhora da Boa Viagem). Alzira participou na construção da casa com o seu marido e com a ajuda do seu cunhado Abílio, mestre-de-obras. Quando a vida do casal se começava a reerguer em Portugal, José, marido de Alzira, falece vítima de um acidente de trator. Como estava sozinha, um dos seus filhos decidiu ir viver com ela fazendo-se acompanhar pela sua própria família. Assim, Alzira continuou o negócio de família, ajudando sempre os seus filhos participou na educação de três dos seus netos, a Sílvia, a Paula e o Nuno. Alguns anos depois, com a chegada da idade da reforma, deixa o negócio ao filho e nora que mantém o mesmo até aos dias de hoje. Alguns anos depois acaba por perder Carlos, o seu filho mais novo vítima de doença. Uma das suas netas, Ana Paula Marques, que viveu com ela, casa e tem dois filhos. Alzira, mantendo-se fiel à sua identidade, ajuda também na educação dos bisnetos. Mais tarde, Ana Paula emigra para a Suíça, e Alzira acompanha-a para ajudar com os filhos. Acaba também por ser ela a ocupar-se dos sobrinhos que nascem em terras helvéticas. Na Suíça para além dos netos anteriormente referidos, tem também a sua filha e os netos/bisnetos da parte desta. Alzira sempre disse que gostava de viver nesse país, mas com a chegada dos 80 anos pede para regressar a Portugal pois tem medo de ficar doente e dar trabalho aos seus netos. Assim, a avó Alzira acaba por ser uma grande ajuda para Ana Paula e seu irmão Nuno Filipe, tendo sido muito mais do que uma avó, foi a maior referência das suas vidas. Foi ela que incentivou a tirar uma licenciatura, a lutar pelos objetivos e nunca desistir perante os obstáculos. Casa Dona Alzira,
A Casa Dona Alzira surge da vontade e desejo dos dois irmãos, Ana Paula e Nuno Filipe, que acederam ao pedido da sua avó Alzira, de que mantivessem a casa de família na aldeia de Portela de Cerdeira, para que estes perpetuassem a sua memória. Antes de Alzira falecer, os dois irmãos pensaram neste projeto, decidindo assim contar à sua avó esta ideia, que se mostrou interessada e satisfeita. Por isso, em memória da Dona Alzira, como era conhecida, surge este novo espaço turístico, que visa não só proporcionar dormida e refeições a quem nos visita, mas também contar histórias e estórias locais para que os visitantes se sintam mais enriquecidos e realizados. Ana Paula Marques e Nuno Filipe,
2021