20/08/2026
Romaria de S. Bartolomeu da Ponte de Cavez.
O texto que se segue, na integra, é da autoria de Rui Rêgo Machado. Vale a pena ler, para conhecer a história desta festividade, uma das mais importantes do concelho de Cabeceiras de Basto.
SÃO BARTOLOMEU DA PONTE DE CAVEZ — HÁ FESTAS. E HÁ HISTÓRIA.
Há trabalhos que merecem aplausos quando terminam. Outros merecem-nos ainda antes de começarem.
É o caso das pessoas que, há cerca de dois meses, se juntaram e aceitaram uma responsabilidade que não é propriamente pequena: organizar a Romaria de São Bartolomeu da Ponte de Cavez.
Dois meses.
Para quem nunca organizou uma festa destas, até pode parecer tempo suficiente. Para quem conhece tudo o que existe por detrás de quatro dias de romaria, dois meses são praticamente começar ontem e ter tudo pronto amanhã.
Licenças, contactos, artistas, fornecedores, logística, programa, divulgação, contas e aquela infinidade de problemas que ninguém vê quando chega ao recinto e encontra a música a tocar.
Por isso, esta Comissão está, desde já, de parabéns.
Porque São Bartolomeu não é apenas mais uma festa no calendário.
É a grande romaria da freguesia de Cavez, uma das mais antigas, tradicionais e reconhecidas do concelho de Cabeceiras de Basto. Uma tradição secular que atravessou gerações e que pertence à memória colectiva desta terra.
E a sua importância vem de longe.
Tão longe que Camilo Castelo Branco levou Cavez e São Bartolomeu para a literatura. A romaria surge ligada ao universo camiliano, nomeadamente em Noites de Lamego, no conto «Como Ela o Amava», onde encontramos o ambiente da romagem e as célebres rivalidades que por estas bandas se viviam. Cavez e São Bartolomeu surgem também em Maria Moisés.
Isto numa época em que não havia Facebook, Instagram nem stories para anunciar a festa.
Havia Camilo. E convenhamos, para publicidade no século XIX, não estava nada mal.
Mas esta referência literária diz sobretudo muito sobre a dimensão histórica de São Bartolomeu. Quando uma romaria entra nas páginas de um dos maiores escritores portugueses, deixa de ser apenas uma festa local. Passa também a ser memória, património e identidade.
É isso que estas pessoas aceitaram preservar.
Organizar São Bartolomeu não é simplesmente montar um palco, contratar artistas, pendurar iluminações e esperar que chegue gente.
É pegar numa herança com séculos e dizer:
Isto continua.
E conseguir fazê-lo em apenas dois meses merece respeito, reconhecimento e, acima de tudo, o apoio de todos nós.
Agora cabe-nos a parte mais fácil.
Aparecer. Participar. Encher a Ponte de Cavez.
Porque as tradições não sobrevivem apenas por serem antigas. Sobrevivem porque, geração após geração, aparecem pessoas dispostas a arregaçar as mangas para que elas não morram.
Felizmente, em Cavez, continuam a aparecer.
Parabéns a todos os que aceitaram este enorme desafio.
De 21 a 24 de Agosto, São Bartolomeu volta à Ponte de Cavez.
Camilo escreveu sobre ela.
Os nossos antepassados viveram-na.
Agora cabe-nos a nós continuar a história. ❤️