23/06/2026
A segunda conversa de As Narrativas da História foi um daqueles raros momentos em que diferentes disciplinas se encontram para iluminar uma mesma pergunta. Perante um público atento e participativo, Domingos Amaral e João Paulo Oliveira e Costa, com moderação de António José Teixeira, debateram de que forma a narrativa literária influencia a compreensão que temos do passado. A História trouxe o rigor dos factos, a Literatura a capacidade de dar voz, emoção e humanidade aos acontecimentos, e o Jornalismo a exigência permanente de interrogar, contextualizar e tornar inteligível a realidade. Mais do que uma conversa sobre livros, foi uma reflexão sobre memória, verdade, imaginação e responsabilidade. Uma demonstração de que o passado não é apenas aquilo que aconteceu, mas também a forma como escolhemos contá-lo às gerações seguintes.
Ao final da tarde, a poucos quilómetros dali, na Fazenda do Pomar, em Cabrela, as palavras deram lugar à música. E aconteceu algo difícil de explicar. Sob a luz dourada do Alentejo, Júlio Resende fez do piano uma extensão da paisagem. As notas pareciam nascer da terra quente, atravessar as copas das árvores e regressar ao silêncio dos campos. Durante algum tempo, deixou de existir a fronteira entre o músico, o público e a natureza envolvente. Foi como se um pedaço do Alentejo tivesse levantado voo, suspendendo-se acima de nós, navegando lentamente pelo céu da criatividade e do sonho. E quando a última nota se dissipou no horizonte, ficou a sensação de que todos tínhamos regressado de uma viagem a um lugar que existe apenas onde se encontram o piano, a imaginação e a alma do Alentejo.
Queremos deixar uma manifestação de profundo agradecimento a todos os que contribuíram para tornar este fim de semana possível.
Um agradecimento muito especial a quem, mesmo não fazendo parte da associação, esteve presente, ajudou, disponibilizou tempo, energia e generosidade, oferecendo um apoio verdadeiramente imprescindível.
Foi graças a esse espírito de entreajuda que pudemos viver estes momentos mágicos. A eles, o nosso muito obrigado.