14/08/2026
A LENDA DAS DUAS CHAVES
Esta é uma das mais conhecidas lendas sobre a origem do nome da cidade de Chaves, uma história onde o verdadeiro amor supera todas as adversidades.
A narrativa decorre durante o domínio romano na Península Ibérica. No reinado do imperador Tito Flávio Vespasiano, as legiões romanas chegaram vitoriosas à Ibéria, atravessando a Galiza e a região de Trás-os-Montes. Encantados com a fertilidade destas terras, decidiram ali estabelecer-se, construindo estradas, pontes e outras importantes obras.
Os Romanos tinham uma profunda admiração pela água e foi com enorme entusiasmo que descobriram as nascentes de águas quentes que brotavam da terra. Construíram uma ponte, aquedutos e grandes piscinas termais onde se banhavam, encontrando alívio e cura para muitas enfermidades graças às propriedades medicinais dessas águas.
A fama das águas espalhou-se rapidamente por todo o Império Romano e a cidade que ali nasceu recebeu o nome de Aquae Flaviae.
Com o crescimento e a importância da povoação, o imperador nomeou para seu procurador o jovem Décio Flávio, comandante da Sétima Legião e seu primo.
Lúcia, filha do cônsul Cornélio Máximo, era a mulher que ocupava o coração de Décio Flávio. Contudo, uma grave doença deixara marcas no seu rosto e nas suas mãos. Envergonhada, escondia-se atrás de um véu, convencida de que já não era digna do homem que amava.
Quando Décio soube da existência das águas termais de Aquae Flaviae, enviou um mensageiro para convencer Lúcia a viajar até ali. Depois de alguma hesitação, ela aceitou partir acompanhada pelo pai.
Ao reencontrarem-se, Lúcia confessou que receava mostrar-se, por acreditar que Décio deixaria de a amar. Mas ele tranquilizou-a, afirmando que continuava a vê-la como a mulher mais bela de Roma e que nada poderia diminuir o amor que sentia por ela.
À medida que os banhos termais faziam efeito, Lúcia recuperava lentamente a saúde e a esperança. O carinho e a dedicação de Décio tornaram-se também parte da sua cura.
Como símbolo desse amor eterno, Décio ofereceu-lhe uma elegante caixa forrada de seda contendo duas chaves de ouro. Mais do que um presente precioso, representavam a confiança, a fidelidade e a promessa de permanecerem unidos para toda a vida.
Emocionada, Lúcia prometeu guardar aquelas duas chaves para sempre. Décio sorriu e disse:
"Guarda-as por toda a nossa vida. E, se o destino o permitir, que permaneçam para toda a eternidade, lembrando às gerações futuras a força de um amor verdadeiro."
Segundo a tradição, esta história inspirou as duas chaves que ainda hoje figuram no símbolo da cidade, perpetuando uma lenda onde o amor, a esperança e a fidelidade venceram o tempo.