01/09/2023
Uma lenda Linda e inspiradora como a Nazaré
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Era uma vez uma Lenda Portuguesa.
Conta-se que há muitos, muitos anos, no tempo de D. Afonso Henriques, vivia um grande cavaleiro chamado D. Fuas Roupinho.
D. Fuas era o guardião do imponente e resistente castelo de Porto de Mós.
O Rei concedeu-lhe esta honra, pois D. Fuas era um dos mais fortes e bravos cavaleiros de toda a Península Ibérica e um grande conhecedor das manhas dos mouros.
Todos os dias ia caçar para os bosques onde treinava a sua pontaria e mostrava a sua coragem perante os animais ferozes, ursos, v***os e lobos.
Era preciso estar em forma, pois os Mouros não perdoavam qualquer deslize!
Num desses dias de caça, cavalgou para longe, até que o cheiro do mar o levou até um escarpado monte (onde hoje em dia é o Sítio da Nazaré ).
Foi aí que conheceu uns velhos pastores que lhe contaram uma história surpreendente:
" Há muitos anos, quando os povos da Península travaram uma luta contra os Mouros, o rei Visigodo D. Rodrigo e o Frei Romano, tiveram de fugir da ira dos invasores. Na fuga levaram com eles, uma valiosa imagem de Nossa Senhora.
Depois de muito caminharem, acharam-se em segurança e esconderam a imagem nas rochas."
D. Fuas ficou petrificado e quis ir ao local para ver com os seus próprios olhos a imagem de Nossa Senhora.
Que brilho e beleza irradiava!..
A partir dessa altura, todos os dias D. Fuas cavalgava até lá. E quando regressava sentia o seu coração preenchido pela força e coragem.
O próprio D. Afonso Henriques ficava admirado com as notícias sobre o invencível Alcaide de Porto de Mós.
Talvez por isso , D. Fuas foi posto à prova...
Num dia em que se dirigia para a caça no seu local favorito, - o Monte de Nossa Senhora - enquanto cavalgava, avistou um v***o.
D. Fuas cavalgou feito um louco para o apanhar.
Criou-se um ambiente sobrenatural...o nevoeiro descia sobre a floresta, como uma cortina de fumo negro. O coração de D. Fuas batia como um relógio infernal e no v***o sentia-se algo de maléfico.
Algo inexplicável estava a acontecer...
De repente, D. Fuas percebeu que o malvado do v***o o estava a levar para o abismo.
Com todas as forças que lhe restavam, rezou:
- Nossa Senhora da Nazaré, ajuda-me neste momento de aflição!
Miraculosamente, os cascos do cavalo cravaram-se nos rochedos, salvando D. Fuas da morte certa.
De tal forma foi a força do milagre, que ainda hoje se conta que os cascos do cavalo estão marcados no Sítio da Nazaré.
D. Fuas, depois disso, prometeu que iria contar por todo o reino o milagre feito por Nossa Senhora.
A promessa foi cumprida.
Até hoje a Nossa Senhora da Nazaré é venerada pelo povo português.
Vanda Furtado Marques. "D. Fuas Roupinho". Ilustração de Gabriel Colaço.