O Hotel Netto localiza-se na freguesia de São Martinho, em pleno casco urbano da Vila Velha de Sintra. A propriedade desta antiga unidade hoteleira encontra-se localizada na Rua Conselheiro Segurado, nos 1 a 5, cujas traseiras confinam com a pequena rua que dá acesso às instalações do posto de Sintra da GNR. Em tempo, esta estreita artéria fazia parte do conjunto de caminhos interiores existentes
no seio da cerca murada do Palácio da Vila de Sintra. Topograficamente apresenta-se como um esporão circundado por dois vales encaixados, nos quais circulam duas linhas de água subsidiárias à Ribeira de Colares - o Rio do Porto a Nascente e outra a Oeste. Do ponto de vista geológico, o subsolo da propriedade do Hotel Netto assenta maioritariamente num substrato rochoso representado pela presença de "calcários margosos, margas e calcários com corais e oncólitos (calcários de Mem Martins)". Nos limites desta mancha encontram-se, também, "calcários nodulares e compactos com algumas intercalações margosas (Calcários de Farta Pão)". As primeiras informações que temos a respeito do Hotel Netto, enquanto tal, aparecem no "Relatório das águas do Almoxarifado de Cintra", elaborado por J. Porém, no início do século XX sabe-se que 25 % dos sobejos da "Água da Serra" eram encaminhados para o Hotel Netto, agora propriedade de José Maria Netto. Sabe-se também que em 1898, o hotel já se encontrava em actividade, uma vez que uma notícia publicada no jornal Correio de Cintra dá conta de que ali terá ocorrido um incêndio. Mais tarde, em 1925, também numa publicação periódica local (jornal O Grilo) se faz referência a dois proprietários do Hotel Netto ambos de origem galega. Embora não se tenha apurado a data de início de laboração do hotel, sabe-se que ainda na década de 1970 aqui se hospedavam os visitantes que permaneciam em Sintra, merecendo especial destaque evidentemente o escritor Ferreira de Castro. Assim, desde os finais do século XIX até, pelo menos, aos anos 70 do século XX, a área sujeita à intervenção arqueológica não sofreu alterações funcionais de ocupação do espaço. Imediatamente anterior ao Hotel Netto, por volta de 1850, existiu um conjunto de imóveis que aparentemente ainda faziam parte do perímetro do Palácio da Vila. Estes edifícios pertenciam respectivamente a um galinheiro (actuais instalações da GNR) e às residências do Juiz de Direito e de Frederico Guilherme da Silva Pereira. Relativamente à ocupação desta área em épocas anteriores à edificação dos imóveis, eventualmente, subjacentes ao Hotel Netto, as fontes iconográficas apontam para a existência de uma zona de tapada, intra ou extramuros do Paço de Sintra, envolvendo a Norte o conjunto da construção áulica. De facto, quer os desenhos de Duarte D'Armas, quer as gravuras que ilustram a Vila de Sintra a partir do século XVIII, apontam para a inexistência de construções nesta área do espaço urbano.