23/08/2026
Culloden, 1746
Estive neste lugar com o maior respeito por todos aqueles que aqui ficaram. Homens que caminharam para um campo de batalha movidos por lealdades, convicções e por um ideal que, para muitos, terminaria naquele mesmo dia.
Em 16 de abril de 1746, Culloden tornou-se palco do confronto final da revolta jacobita. De um lado, os jacobitas, que lutavam pela restauração da dinastia Stuart ao trono britânico; do outro, as forças do governo, fiéis à Coroa Hanoveriana. Mais do que uma simples divisão entre católicos e protestantes, foi um conflito de dinastias, lealdades, religião e diferentes visões sobre o poder e o futuro do reino.
Caminhar hoje por Culloden é caminhar sobre um lugar de memória. As pedras com os nomes dos clãs recordam homens que aqui combateram e morreram, muitos deles lado a lado com os seus familiares e companheiros. Chefes e homens dos clãs que acreditaram numa causa e aqui encontraram o seu fim.
É um lugar de uma beleza serena, mas carregado de História. E foi impossível não olhar para aquele campo e pensar no mundo em que vivemos hoje. Quase três séculos depois, continuamos a travar batalhas que talvez pudessem ser evitadas se aprendêssemos verdadeiramente a conversar, a escutar e a procurar caminhos diferentes da violência.
Culloden fez-me pensar que conhecer a História não é apenas recordar aqueles que partiram. É também perguntar-nos o que aprendemos com eles.
Porque os séculos passam, os protagonistas mudam, mas a Humanidade continua demasiadas vezes a repetir as mesmas batalhas.